Durante muito tempo, a orelha interna foi considerada como o único ponto importante a ser abordado nos casos de zumbido. Os medicamentos utlizados eram de ação focada apenas na orelha e na grande maioria das vezes, o resultado do tratamento era decepcionante. Pesquisas mais recentes mostram que a orelha continua sendo um ponto importante e essencial na gênese do zumbido,uma vez que , na grande maioria dos casos, é justamente lá que está a causa do zumbido. Mas com o tempo, outras alterações parecem perpetuar o zumbido. Hoje é consenso que há uma hiperativação das vias nervosas auditivas e mesmo corticais, mantendo ou até mesmo agravando o zumbido. É como se o sistema nervoso central aumentasse o "ritmo de descargas" para compensar uma perda auditiva qualquer e isso mantém o zumbido , mesmo que a causa periférica na orelha já tenha sido corrigida. Assim,intervenções no sistema nervoso seriam necessárias para alívio sintomático. É por isso que os antidepressivos e anticonvulsivantes tem sido cada vez mais usados. Mas como saber se o zumbido é ainda periférico (orelha) ou já é central (sistema nervoso) ? O otorrinolaringologista com formação específica nessa área tem como avaliar a "extensão" do zumbido do paciente através da anamnese e do exame clinico e com ajuda de exames complementares específicos e , assim , instituir a terapêutica adequada. Essa mudança de abordagem do zumbido tem sido alvo de várias discussões e mesas redondas em congressos tanto dentro do Brasil como no exterior e já tem revolucionado o tratamento desse problema, até então visto como "sem cura".