Um dos maiores problemas no manejo dos pacientes com tontura é o uso inadequado do termo "labirintite". Esse termo que significa inflamação do labirinto é bastante genérico para descrever os inúmeros quadros que cursam com tontura.Vejamos alguns exemplos: Existe um quadro bastante comum chamado vertigem paroxistica postural benigna ( chamada de VPPB ) que é provocada pelo deslocamento de cristais de carbonato de cálcio dentro do labirinto. É a labirintopatia mais comum e o tratamento baseia-se em manobras de reposicionamento para colocar os cristais no local adequado. Nenhuma medicação é eficaz. Outro exemplo bastante ilustrativo é a paroxismia vestibular que é causada por uma compressão do nervo vestibular pela artéria cerebelar antero-inferior dentro do conduto auditivo interno. Nenhuma dessas medicações usualmente utilizadas para "labirintite" tem eficácia e o tratamento baseia-se no uso de carbamazepina, um anticonvulsivante.E o que é interessante é que todos esses casos são rotulados como " labirintite" e tratados da mesma forma . O otoneurologista é o profissional capacitado a identificar , dentre as mais de 100 causas de tontura, o diagnóstico correto e assim definir o tratamento adequado. Só para se ter uma ideia, neuronite vestibular , hidropisia endolinfática, migranea vestibular , insificiência vertebro-basilar e neurinoma do acustico, todos esses quadros cursam com tontura e cada um tem um tratamento diferente. Agora imagine rotulá-los todos como labirintite e tratá-los da mesma forma?