A Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) muito frequentemente leva a repercussões otorrinolaringológicas. Na prática, existem 2 tipos de pacientes:aqueles que têm as queixas clássicas como pirose e queimação junto com as queixas otorrinolaringológicas e aqueles que têm apenas as queixas otorrinolaringológicas (quadro normalmente chamado de Doença do Refluxo Faringolaringeo - DRFL). Consideram-se manifestações extraesofágicas da DRGE: Tosse crônica, rouquidão, pigarro, asma resistente a tratamento, mau hálito, aftas recorrentes, além de rinossinusite e otites de repetição, principalmente em crianças.O diagnóstico é eminentemente clínico sendo que a endoscopia digestiva mostra alterações em apenas 30% dos casos. Mesmo a laringoscopia não se mostra conclusiva uma vez que as alterações são muito inespecíficas e a avaliação muito subjetiva (depende do examinador). Em suma, os exames diagnósticos ajudam muito pouco, o que faz com que muitas vezes o próprio paciente não acredite no diagnóstico dado pelo médico, principalmente se ele não tiver os sintomas clássicos. O tratamento consiste no uso de medicamentos chamados inibidores de bombas de prótons (IBP) em dose dobrada ao habitual e por pelo menos 12 semanas, além de dieta, prática de atividade física e determinadas mudanças no estilo de vida.